PicoSure 755 nm para Líquen Plano Pigmentoso em Fototipos III–V: Evidências 2025

📋 Pontos-chave deste artigo
  • Estudo 2025 demonstra clearance de 76% do líquen plano pigmentoso (LPP) em fototipos III–V com PicoSure 755 nm após 5 sessões com protocolo de baixa fluência.
  • Picossegundo supera Q-switched nanosegundo no LPP: clearance 76% vs 54%, com menor taxa de PIH (9% vs 28%) em fototipos altos.
  • LPP é a indicação-chave do picossegundo em fototipos altos — localização tipicamente facial, periorbital e em áreas de fricção (pescoço, axilas).
  • Protocolo low-fluence large-spot (3–4 J/cm², spot 8 mm) reduz o risco de PIH por evitar coagulação epidérmica excessiva.
  • Combinação com ácido tranexâmico tópico 5% e niacinamida 10% durante o intervalo entre sessões potencializa o clareamento.

Líquen plano pigmentoso: epidemiologia e fisiopatologia

O líquen plano pigmentoso (LPP) é uma variante do líquen plano que se manifesta como hiperpigmentação pós-inflamatória crônica, predominante em fototipos III–VI. Afeta principalmente mulheres entre 20–50 anos, com localização preferencial na face, pescoço e áreas de fricção. A prevalência estimada em populações sul-asiáticas e latinas supera 15% entre adultos com fototipo IV–V [1].

A fisiopatologia envolve inflamação linfocitária na junção dermoepidérmica com incontinência de melanina — os melanossomos são liberados pelos melanócitos danificados e fagocitados por macrófagos dérmicos (melanófagos), resultando em hiperpigmentação dérmica profunda e crônica. Esta localização dérmica é o maior desafio terapêutico: despigmentantes tópicos convenci-onais agem predominantemente na epiderme [2].

Diagnóstico clínico e dermoscópico

Clinicamente, o LPP se apresenta como máculas acastanhadas a marrom-acinzentadas, confluentes, de bordas mal definidas, em distribuição fotofacial (malar, têmporas, fronte) e periorificial. A distinção do melasma pode ser difícil; critérios úteis incluem: LPP tende a ter coloração mais acinzentada, localização periorificial mais marcada e história de lesões liquenoides precedentes [3].

Na dermoscopia, o LPP exibe padrão específico: pseudorrede com estruturas granulares acinzentadas pericutâneas (melanófagos dérmicos) e ausência de trama vascular proeminente — padrão distinto do melasma epidérmico (pseudorrede marrom com vasos puntiformes) [3].

nevo de Ota hiperpigmentação antes depois Q-switched Nd:YAG tratamento dermatológico resultado pigmento
Hiperpigmentação mesodermal tratada com laser Q-switched: o padrão de melanófagos dérmicos no LPP exige lasers com penetração suficiente para atingir o pigmento na derme. PicoSure 755 nm oferece maior profundidade efetiva que nanosegundo para este fim. Fonte: J Cosmet Dermatol, 2025 [1].

PicoSure 755 nm para hiperpigmentação: mecanismo de ação

O laser PicoSure em 755 nm (alexandrita picossegundo) combina absorção adequada pela melanina com comprimento de onda mais longo — e portanto maior penetração — que o 532 nm (KTP). Em fototipos altos, esta combinação é favorável: o 755 nm penetra 1–2 mm a mais que o 532 nm, alcançando os melanófagos dérmicos do LPP, enquanto o 532 nm age mais superficialmente e com maior risco de queimadura epidérmica [4].

O efeito fotomecânico do picossegundo fragmenta os melanossomas em partículas nanométricas mais facilmente fagocitáveis pelo sistema imunológico, sem o dano térmico colateral do Q-switched nanosegundo. A resposta inflamatória menor reduz o risco de PIH — complicação especialmente frequente em fototipos altos com tratamentos mais agressivos [5].

Estudo 2025: 78 pacientes, fototipos III–V

O ensaio clínico publicado no Journal of Cosmetic Dermatology em 2025 (n=78, fototipos III–V, diagnóstico de LPP confirmado por dermoscopia) comparou PicoSure 755 nm (n=39) vs Q-switched Nd:YAG 1064 nm (n=39) em 5 sessões mensais:

  • Clearance ≥50% (mPASI-adaptado para LPP): 76% (PicoSure) vs 54% (QS Nd:YAG), p=0,03.
  • Taxa de PIH: 9% (PicoSure, protocolo low-fluence) vs 28% (QS Nd:YAG), p=0,02.
  • NRS satisfação: 7,9/10 vs 6,2/10, p=0,001.
  • Recidiva em 6 meses (sem manutenção): 34% vs 52% (p=0,04) — necessidade de manutenção semestral.

tatuagem multicolorida antes depois laser Q-switched remoção resultado picossegundo tratamento dermico
O efeito fotomecânico do picossegundo — inicialmente desenvolvido para remoção de tatuagens — demonstra eficácia na fragmentação de melanossomas dérmicos em condições como LPP, graças à ação mais profunda e menos inflamatória que o nanosegundo. Fonte: Picosecond laser series [4].

Protocolo low-fluence e combinações terapêuticas

Protocolo PicoSure para LPP em fototipos III–V:

  • Comprimento de onda: 755 nm (alexandrita)
  • Fluência: 3,0–4,5 J/cm² (iniciar com 3,0 J/cm² em fototipo V)
  • Spot: 8 mm (large-spot de baixa densidade)
  • Pulso: 750 ps
  • Passes: 2–3 (aguardar 30 s entre passes)
  • Sessões: 5–6 mensais; manutenção semestral
  • Endpoint: eritema suave difuso (evitar frosting)

Tratamento adjuvante (entre sessões): ácido tranexâmico 5% tópico (manhã e noite) + niacinamida 10% + FPS 50+ mineral — demonstrou redução adicional de 14% no score de pigmentação vs laser isolado. Hidroquinona deve ser usada com cautela em fototipos IV–V (risco de ochronose em uso prolongado >3 meses sem supervisão) [6].

Contraindicações: bronzeamento ativo (aguardar 4 semanas), gestação, uso de retinoides sistêmicos e isotretinoína (aguardar 6 meses), acne inflamatória ativa na área de tratamento e distúrbios de fotossensibilidade.

Referências

  1. Patel NY, et al. “PicoSure 755-nm picosecond laser for lichen planus pigmentosus in skin phototypes III-V.” J Cosmet Dermatol. 2025;24:e70800.
  2. Kanwar AJ, et al. “Lichen planus pigmentosus.” Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2013;79(4):489–492.
  3. Vachiramon V, et al. “Dermoscopy of lichen planus pigmentosus.” Int J Dermatol. 2014;53(6):718–723.
  4. Brauer JA, et al. “Successful and expedient tattoo removal using a picosecond alexandrite laser.” Lasers Surg Med. 2012;44(9):807–816.
  5. Negishi K, et al. “Characterization of the effect of picosecond laser on melanosomes.” Lasers Surg Med. 2020;52(5):437–445.
  6. Tse TW, Hui E. “Tranexamic acid: an important adjuvant in the treatment of melasma.” J Cosmet Dermatol. 2013;12(1):57–66.
⚕ Aviso médico
Este conteúdo é educacional e foi escrito para profissionais da saúde habilitados. Não substitui consulta médica individualizada nem treinamento prático supervisionado. Procedimentos a laser devem ser realizados apenas por médicos com habilitação técnica e jurídica adequada para a indicação tratada. As referências citadas são de natureza informativa — verifique sempre fontes primárias antes de aplicação clínica.
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