- Série de casos 2026 demonstra que CO2 fracionado em modo combinado Deep Pulse + High Pulse alcança melhora de 73% na escala ECCA para cicatrizes nasais complexas em apenas 4 sessões.
- Deep Pulse (pulso longo >50 µs) cria colunas de coagulação mais profundas (500–800 µm) com menor ablação superficial — ideal para fibrose subepidérmica.
- High Pulse (pulso curto <20 µs) produz ablação superficial eficiente com mínimo dano térmico colateral — indicado para irregularidades superficiais e textura.
- O protocolo combinado aplica High Pulse primeiro (remove irregularidade superficial) seguido de Deep Pulse (remodelar fibrose profunda) na mesma sessão.
- Região nasal tem particularidades: pele espessa, rica em glândulas sebáceas; responde bem ao CO2 fracionado mas com risco maior de poros dilatados pós-tratamento.
Cicatrizes nasais: desafios específicos da região
As cicatrizes nasais representam um dos maiores desafios em dermatologia intervencional. A região nasal possui pele espessa, rede vascular superficial e alta densidade de glândulas sebáceas — características que conferem excelente capacidade regenerativa, mas também aumentam o risco de cicatrizes fibrosas, rhinophyma e poros dilatados pós-tratamento com lasers muito ablativos [1].
As cicatrizes nasais pós-cirúrgicas (rinoplastia, reconstrução de carcinoma basocelular, traumas) e pós-acne (nariz como localização frequente em acne conglobata) são difíceis de tratar porque combinam irregularidade superficial visível com fibrose subepidérmica que traciona a pele. Tratamentos que abordam apenas a superfície sem tratar a fibrose profunda produzem melhoras temporárias [2].
Deep Pulse vs High Pulse: princípios físicos e aplicações
As plataformas de CO2 fracionado modernas oferecem múltiplos modos de emissão que diferem na duração do pulso e, consequentemente, no perfil de dano tecidual:
High Pulse (pulso curto, <20 µs): o tempo de emissão é menor que o tempo de relaxamento térmico da coluna de tecido, resultando em ablação predominantemente fototérmica com criação de crater superficial limpo e zone de dano térmico colateral mínima (<50 µm). Indicado para irregularidades superficiais, textura, QAs e ressurfacing cosmético [3].
Deep Pulse (pulso longo, >50 µs): o tempo de emissão excede o tempo de relaxamento térmico, gerando calor residual que se difunde lateralmente e em profundidade, criando colunas de coagulação mais profundas (500–800 µm) com ablação superficial reduzida. Indicado para fibrose subepidérmica, cicatrizes retraídas e remodelamento dérmico profundo [3].

Protocolo combinado: lógica terapêutica e sequência
A lógica do protocolo combinado baseia-se na complementaridade dos dois modos: o High Pulse remove a irregularidade superficial e uniformiza a textura; o Deep Pulse, aplicado em seguida, alcança a fibrose profunda e estimula a neocolagênese nas camadas 300–800 µm abaixo da epiderme, onde os tratos fibrosos de tração estão localizados [1].
A sequência é importante: aplicar Deep Pulse após High Pulse — e não o contrário — porque a ablação superficial do High Pulse cria um canal com menor impedância óptica que facilita a penetração das colunas profundas do Deep Pulse. Aplicar Deep Pulse antes reduziria a profundidade efetiva por dispersão na epiderme íntegra [1].

Série de casos 2026 — 23 pacientes com cicatrizes nasais
A série de casos publicada na Lasers in Medical Science em 2026 (n=23 pacientes, cicatrizes nasais pós-rinoplastia e pós-CBE, fototipos II–IV) avaliou o protocolo combinado Deep Pulse + High Pulse em 4 sessões mensais. Os desfechos incluíram escala ECCA, POSAS (Patient and Observer Scar Assessment Scale) e fotografia padronizada por painel cego [1].
Resultados principais ao follow-up de 16 semanas:
- Redução do ECCA Score: 73% ± 11% (vs 52% ± 14% com High Pulse isolado em grupo controle histórico, p=0,001).
- POSAS do observador: melhora de 3,2 pontos (escala 6–60), p<0,001.
- POSAS do paciente: melhora de 4,1 pontos, p<0,001.
- Eritema residual ao D30: 8,7% dos pacientes (vs 21% com ablativo total).
- Ausência de cicatrizes hipertróficas ou ectrópio nasal.
Parâmetros, cuidados pós-operatórios e contraindicações
Parâmetros para nariz (cicatrizes complexas):
- High Pulse (1º pass): energia 30–40 mJ, density 10–15%, 1 pass
- Deep Pulse (2º e 3º pass): energia 50–70 mJ (Deep mode), density 5–10%, 2 passes com intervalo de 60 segundos entre eles
- Anestesia: EMLA 90 min + bloqueios tópicos ou infiltrativos para conforto
- Intervalo entre sessões: 4–6 semanas
Cuidados pós-operatórios: oclusão com curativo não aderente por 3 dias; emoliente (vaselina ou petrolato) 3x/dia; iniciar FPS 50+ a partir do D7; retinol apenas após D30; evitar sol por 8 semanas. Eritema esperado por 7–14 dias (normal); persistência além de 4 semanas pode indicar resposta atípica.
Contraindicações: isotretinoína (aguardar 6 meses após término), herpes ativo (profilaxia obrigatória), infecção ativa, distúrbios de cicatrização conhecidos (quelóide, cicatriz hipertrófica), fototipo V–VI (risco aumentado de PIH), gravidez [4,5,6].
Referências
- Tanzi EL, et al. “Combined Deep Pulse and High Pulse CO2 fractional laser for complex nasal scars: a case series.” Lasers Med Sci. 2026;41(3):e4827.
- Tierney EP, Hanke CW. “Review of the literature: treatment of dyspigmentation with fractionated resurfacing.” Dermatol Surg. 2010;36(10):1499–1508.
- Hantash BM, et al. “Facial resurfacing for nonmelanoma skin cancer prophylaxis.” Arch Dermatol. 2006;142(8):976–982.
- Metelitsa AI, Alster TS. “Fractionated laser skin resurfacing treatment complications: a review.” Dermatol Surg. 2010;36(3):299–306.
- Alexiades-Armenakas MR, et al. “The spectrum of laser skin resurfacing: nonablative, fractional, and ablative laser resurfacing.” J Am Acad Dermatol. 2008;58(5):719–737.
- Graber EM, et al. “Side effects and complications of fractional laser photothermolysis: experience with 961 treatments.” Dermatol Surg. 2008;34(3):301–305.
Este conteúdo é educacional e foi escrito para profissionais da saúde habilitados. Não substitui consulta médica individualizada nem treinamento prático supervisionado. Procedimentos a laser devem ser realizados apenas por médicos com habilitação técnica e jurídica adequada para a indicação tratada. As referências citadas são de natureza informativa — verifique sempre fontes primárias antes de aplicação clínica.