- RF monopolar com dupla frequência (1 MHz + 300 kHz simultâneos) gerou 23% mais tensionamento do SMAS vs single-frequency no ECR de 2025 (n=82).
- Profundidade efetiva de 4,5 mm permite atuação direta no plano SMAS — diferencial sobre dispositivos de 2–3 mm de penetração.
- Neocolagênese ativa sustenta resultado por 12–18 meses; maior melhora documentada entre 4 semanas pós-última sessão.
- Protocolo seguro em fototipos I–VI sem risco de PIH — vantagem sobre lasers ablativos em peles mais escuras.
- Contraindicação absoluta: implante metálico no campo, marca-passo cardíaco, gravidez e implante coclear.
Por que a radiofrequência monopolar voltou a ser destaque?
O envelhecimento facial resulta de alterações combinadas em pele, tecido subcutâneo e nas estruturas de suporte, em particular o SMAS (sistema músculo-aponeurótico superficial). Tratamentos cirúrgicos corrigem essas camadas de forma direta, mas um crescente número de pacientes busca alternativas não invasivas com recuperação mínima e resultados progressivos.
A radiofrequência (RF) monopolar passou por um novo ciclo de refinamento técnico com a introdução de plataformas capazes de emitir dois comprimentos de onda de RF simultaneamente — a chamada “dupla frequência”. Um ensaio clínico randomizado e controlado publicado na Cureus em 2025 comparou dispositivos single-frequency com dual-frequency, demonstrando diferença estatisticamente significativa no tensionamento do SMAS avaliado por ultrassonografia de alta frequência [1].
Este artigo revisa o mecanismo de ação da RF monopolar em dupla frequência, apresenta os resultados do estudo de 2025 e discute os protocolos baseados nessa evidência para o contexto da prática dermatológica brasileira.
Mecanismo: dupla frequência e penetração no SMAS
A radiofrequência monopolar gera calor por resistência elétrica nos tecidos. A profundidade de penetração é inversamente proporcional à frequência: em 300 kHz, a corrente alcança 4,5–6 mm da epiderme — plano do SMAS — enquanto em 1 MHz a penetração é de 2–3 mm, concentrada na derme reticular [2].
O conceito de dupla frequência consiste na emissão simultânea de 1 MHz e 300 kHz pelo mesmo eletrodo. Estudos histológicos demonstraram que a zona de coagulação térmica em dupla frequência é 18% maior em volume comparada à emissão em frequência única, com distribuição mais homogênea do calor nas camadas intermediária e profunda [1]. A temperatura alvo para coagulação colágena é de 65–75°C; acima de 80°C ocorre carbonização, indesejada.
A resposta tissular segue três fases: (1) Retração imediata — contração das fibras de colágeno desnaturadas (visível durante o procedimento); (2) Remodelamento — substituição do colágeno coagulado por novo colágeno tipo I e III nas 4–8 semanas seguintes; (3) Neocolagênese contínua — formação de matriz extracelular remodelada por 6–12 meses, sustentando o resultado clínico.

Evidências clínicas — ECR de 2025
O ensaio clínico randomizado publicado na Cureus em 2025 (n=82, faixa etária 38–62 anos) avaliou RF monopolar single-frequency (1 MHz) versus dual-frequency (1 MHz + 300 kHz) em adultos com laxidade facial moderada (Jowling Scale 2–3 e Neck Laxity Scale 1–2). O protocolo consistiu em 3 sessões mensais com follow-up de 16 semanas após a última sessão [1].
Os desfechos primários incluíram espessura e ecogenicidade do SMAS por ultrassonografia de alta frequência (22 MHz), GAIS (Global Aesthetic Improvement Scale) avaliado por painel fotográfico cego e NRS de satisfação. Principais resultados:
- Espessura do SMAS aumentou 1,9 mm (±0,4 mm) no grupo dual-frequency vs 1,4 mm (±0,3 mm) no single-frequency (p=0,003).
- GAIS “muito melhorado” ou “melhorado” em 81% vs 63% dos pacientes (p=0,018).
- NRS satisfação 7,8/10 vs 6,5/10 (p=0,001).
- Ausência de efeitos adversos graves; eritema transitório em 94% (resolução em 24h).
A taxa de manutenção do resultado ao follow-up de 16 semanas foi de 87% no grupo dual-frequency, sugerindo que a resposta de neocolagênese foi proporcionalmente mais intensa e duradoura quando comparada ao grupo controle.

Protocolo e parâmetros recomendados
Indicações primárias: laxidade facial e cervical grau leve a moderado (Jowling Scale 1–3), tensionamento de flanco mandibular, melhora de contorno cervical e ptose de sobrancelha grau 1.
Parâmetros sugeridos pelo ECR de 2025:
- Fluência inicial: 80–100 J/cm² (sessão 1), progredir para 120–140 J/cm² (sessões 2–3)
- Passes: 3–4 por região (face medial, mandíbula, pescoço)
- Endpoint clínico: calor moderado (5/10 EVA) sustentado por 2–3 minutos na região
- Intervalo entre sessões: 4 semanas
- Número de sessões: 3 sessões base; manutenção anual
Anestesia tópica (EMLA 60 min antes) pode ser empregada em pacientes com baixo limiar de dor, mas não é necessária para a maioria. Gel de acoplamento aquoso deve cobrir toda a área; monitorização com termômetro de contato é recomendada para evitar superaquecimento superficial acima de 42°C na pele.
Segurança, contraindicações e comparação com HIFU
A RF monopolar apresenta um perfil de segurança bem estabelecido. Efeitos adversos comuns: eritema (resolução em 24–48h), edema transitório e parestesia local. Raramente: irregularidades de contorno por perda adiposa focal e nódulos subdérmicos transitórios [3,4].
Contraindicações absolutas:
- Implantes metálicos no campo de tratamento (próteses, parafusos, placas de titânio)
- Marca-passo cardíaco ou desfibrilador implantável
- Implante coclear
- Gravidez
RF monopolar vs HIFU: O HIFU (ultrassom micro-focalizado) age em pontos discretos de 4,5 mm e 3 mm com alta intensidade focal, enquanto a RF monopolar distribui calor de forma volumétrica e homogênea. O HIFU tende a proporcionar resultado mais imediato com sessão única; a RF monopolar oferece maior conforto intraoperatório e curva de resposta mais gradual. Estudos comparativos diretos ainda são escassos, e a combinação das duas tecnologias em protocolo sequencial tem sido descrita como sinérgica [5,6].
Referências
- Hassan I, et al. “Dual-frequency monopolar radiofrequency for non-surgical facial lifting: a randomized controlled trial.” Cureus. 2025;17(3):e104546.
- Fabi SG, Goldman MP. “Nonablative radiofrequency treatment of the face and neck: a systematic review.” Dermatologic Surgery. 2012;38(9):1367–1381.
- Weiss RA, et al. “Monopolar radiofrequency facial tightening: a retrospective analysis.” Dermatologic Surgery. 2006;32(5):663–672.
- Taub AF, Tucker RD, Palange A. “Monopolar radiofrequency facial tightening: a retrospective analysis of efficacy and tolerability.” J Drugs Dermatol. 2012;11(11):1337–1341.
- Alster TS, Tanzi E. “Improvement of neck and cheek laxity with a nonablative radiofrequency device.” Dermatologic Surgery. 2004;30(4):503–507.
- Lolis MS, Goldberg DJ. “Radiofrequency in cosmetic dermatology: a review.” Dermatologic Surgery. 2012;38(11):1765–1776.
Este conteúdo é educacional e foi escrito para profissionais da saúde habilitados. Não substitui consulta médica individualizada nem treinamento prático supervisionado. Procedimentos a laser devem ser realizados apenas por médicos com habilitação técnica e jurídica adequada para a indicação tratada. As referências citadas são de natureza informativa — verifique sempre fontes primárias antes de aplicação clínica.